Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Conversa entre dois poetas: Carlos Drummond de Andrade & Renato Russo.


Amigos,
 
Segue um artigo que escrevi para a revista Inn Focco – Dezembro / 2012 e que gostaria de compartilhar com vocês.

Certo dia, casualmente, eu estava lendo um dos meus poemas prediletos: E agora José? do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Eis um trecho do poema: “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? ...” Este José, do poema, se parece com muitos dos meus pacientes, que estão em quadros depressivos. Eles sentem-se encurralados, desanimados, culpados, tristes, cansados, sem esperança... Como se nada fosse mudar, como estivessem no fim... Sem saída!

Os Transtornos Depressivos são os quadros que mais geram esta sensação de desamparo e desesperança. Os pacientes tem a sensação de que nada vai melhorar, não existe luz no fim do túnel, aliás, esta é uma alusão muito comum pensar no futuro como um corredor muito extenso e que lá no fundo parece que está tão estreito que não conseguirão passar. Estas sensações provavelmente estão influenciadas por um fenômeno no cérebro: a baixa produção de um neurotransmissor chamado Serotonina. Quando esta importante substância falta é como se o mundo ficasse cinza, daí todas as impressões ficam negativas, pessimistas... Os comportamentos são afetados por estas interpretações e o indivíduo deixa de fazer muitas coisas que antes lhe davam prazer e satisfação. Eles passam a isolar-se, como se fosse uma espécie de desistência.

Daí outro dia, também casualmente, eu ouvia uma bela canção do poeta e músico Renato Russo, chamada Mais Uma Vez. Eis um pequeno trecho: “Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem...”. Imaginei que se fosse possível um diálogo entre os dois poetas: Renato Russo e o Carlos Drummond de Andrade, talvez a esperança pudesse vencer o medo. A música é uma visão terapêutica dos sintomas vistos no poema e seria uma boa oportunidade de ajudar o “José” do poema, mostrando que aquela negatividade, aquela sensação de que nada poderia melhorar é falsa. Que se o “José” pudesse se esforçar, procurar alguma ajuda e olhar por outro ângulo talvez haja não só uma luz no fim do túnel, mas um sol inteiro que volta brilhar.

Evidentemente, os pacientes que nos procuram sobre influência dos sintomas depressivos, merecem todo o cuidado e o entendimento de que tais sintomas não são produzidos voluntariamente, mas que as estratégias para sair destes sintomas dependem de um esforço voluntário para aderir à medicação, quando esta se fizer necessária. E também, buscar enfrentamentos terapêuticos, tais como o trabalho cognitivo, que consiste na mudança de percepção, interpretação e pensamentos a partir técnicas da terapia. Bem como, a mudança de comportamentos, a saber: voltar a praticar comportamentos que o paciente domina (tem habilidades para fazer: trabalho, esporte, convívio social) e sente prazer após a execução dos mesmos.

Acredito que a arte nos inspira reflexões, traz à tona sentimentos e nos permite partilhar das visões dos artistas, que também perpassam por nós mesmos. Dessa forma, penso que vale a pena tentar outro olhar sobre o mesmo fenômeno, ainda que este seja uma patologia como a Depressão. Se você conhece alguém que está passando por um momento parecido com o do “José” apresente outra percepção: A de que o Sol pode voltar a brilhar... Que há esperança, e que a vida merece ser vivida com mais alegria, portanto faz-se mister lutar para alcançar a saúde e a qualidade de vida.
Abraços,
Weslley Nazareth
Psicólogo (CRP/04: 22768)
novo consultório: R: Alexandre Marquez, 463 - Martins
(34) 3237-2525 / 8805-0307
www.mentalhelp.srv.br

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quando o amor se transforma em doença



Amigos,

Segue um artigo que escrevi para a revista Inn Focco – Maio / 2011 e que gostaria de compartilhar com vocês.
Ah o amor... Hum a paixão! Parecem sentimentos maravilhosos, e são mesmo. No entanto, em alguns casos estes sentimentos podem levar vários amantes e apaixonados do céu ao inferno em pouco tempo.

Primeiramente seria importante nos atermos a uma das inúmeras explicações e teorias acerca do amor e da paixão, que estão descritas desde a antiguidade. A ciência nos explica que estes dois sentimentos têm papéis diferentes e são igualmente importantes para a evolução da nossa espécie. Quanto à paixão, a ciência nomeia o termo “atração”. É uma tempestade química em nosso cérebro. Uma das experiências humanas mais imprevisíveis, ilógica, caótica e menos sujeita a regras de nossa natureza. Caminhamos pela vida, e de repente uma pessoa estranha (ou não) captura todo o nosso interesse e toma conta de todo o nosso sentimento. Normalmente nos apaixonamos em um estalar de dedos. Na maioria das vezes é uma característica qualquer do outro, que estimula nossos sentidos: o tom da voz, o cheiro (feromônios), o toque, o gosto (beijo), o olhar, o sorriso... Quiça, não seja uma mescla dessas características. A paixão tem um forte apelo do desejo sexual, e normalmente impulsiona os pares para a experiência marcante das interações sexuais. A atração foi e é uma peça chave para a manutenção e sobrevivência de nossa espécie.

Quanto ao amor, a ciência nomeia de “apego”. Seria como uma evolução da paixão. Uma forma mais compromissada, serena, pacata e madura da atração. Quando existe o apego, muitas reações neuroquímicas importantes se dão em nosso cérebro. Essas modificações cerebrais podem perdurar por muito mais tempo do que a atração. O apego teve e tem um papel fundamental na manutenção dos relacionamentos. O que na evolução garantiu a manutenção das figuras parentais (pai e mãe) para proteção e sobrevivência da prole (filhos).

Quando a atração ou o apego se dão com pares, que não necessariamente estão numa mesma sintonia, formas de patologias podem se instalar. Os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos são muito comuns. Geralmente pessoas que não estão sendo correspondidas em seus sentimentos, experimentam uma série de sintomas, que podem ocasionar prejuízos nas mais variadas áreas da vida (profissional, intelectual, social...) levando ao adoecimento do indivíduo.

Certa feita, em um trabalho realizado no Hospital Psiquiátrico por alunos de psicologia, fora proposto que os internos escrevessem frases que explicassem o que é a loucura. Uma mulher, que estava internada devido a um surto psicótico, escreveu a seguinte frase: “A loucura é o vazio da solidão de quem ama”. Até hoje, não encontrei definição mais bela e coerente para a loucura.

Ainda temos o amor patológico, que se caracteriza pelo comportamento de prestar cuidados e atenção ao parceiro (a), de maneira repetitiva e desprovida de controle, em um relacionamento amoroso. Tudo em excesso faz mal, até mesmo o amor. Uma forma de amor, onde o outro se anula, não é autêntico, perde a capacidade de cuidar da própria vida, torna-se doentio e traz inúmeros prejuízos para o sujeito e o “objeto” de seu sentimento.

Em minha experiência clínica, muitas pessoas procuram o atendimento psicoterápico, com queixas sobre relacionamentos afetivo-sexuais, os quais se tornaram fontes de problemas. A terapia pode ajudar o paciente lidar com os sintomas (ansiedade, depressivos, etc), re-significar as relações, melhorar o desempenho perdido em outras áreas importante da vida. E sobretudo, potencializar esta máquina exclusiva de amar e se apaixonar, que foi aprimorada ao longo de milênios, para cumprir ao que fomos destinados: AMAR E SER AMADO!

Abraços,

Weslley Nazareth
Psicólogo (CRP/04: 22768)
novo consultório: R: Alexandre Marquez, 463 - Martins
(34) 3237-2525 / 8805-0307